História dos Descobrimentos Marítimos - Ciência ou Negócio?
É inquestionável, que o património histórico das descobertas maritímas esteve sempre entregue às Universidades. Será, que as devidas investigações nas diversas áreas têm sido feitas? Quem garante isso?
Para falar em ciência, tem de se considerar rigor científico. Reconheço, que a palavra negócio é demasiado forte para ser aplicada no tema dos descobrimentos, mas não encontro a palavra apropriada que se ajuste ao palpite, que também acompanha o facto histórico.
As Universidades e os académicos também ensinam palpites históricos, misturando com factos históricos, sem reconhecerem os seus erros. Como é que é possível alguém falar nestes termos?
Recorro a alguns pequenos exemplos para fazer estas afirmações: a investigação séria do documento histórico não se pode confundir de maneira nenhuma com o palpite. A conclusão precipitada que não resulta daquela evidência, os académicos podem chamar-lhe o que quiserem, só que, não é facto histórico.
Querer falar dos descobrimentos marítimos portugueses e das descobertas de Colombo, sem conhecer certos elementos, ou tão pouco, não saber fazer a leitura das palavras de Pacheco Pereira, não é possível alcançar o fim que se pretende, a possível verdade das descobertas.
Será de admitir, que a comunidade científica de história desconheça no século XXI, qual é a posição geográfica da ilha dos Ídolos, marco de referência primordial dos navegadores portugueses do século XV? E o que dizer, da ilha de S. Salvador como ponto de chegada de Cristóvão Colombo, em 1492, apontada pela geografia moderna não representar o que foi a realidade, como ponto de encontro de Colombo?
Continua a afirmar-se, que os setenta graus de ladeza da linha equinocial contra o pólo árctico, medidos por Pacheco Pereira e escritos no Esmeraldo de situ orbis, refere-se a um valor da latitude. Porquê? Porque fala em ladeza. O que significa isto? Que é resultante da comunidade científica desconhecer qual o ponto da linha equinocial considerado por aquele cosmógrafo e navegador para fazer os seus cálculos.
Que as Universidades e os senhores historiadores entendam, que no princípio do século XVI, a Groenlândia, as terras de Baffin, o Alaska e a Sibéria, já eram terras grandemente povoadas, é um assunto que só a eles diz respeito como responsáveis das descobertas, porque tenho a certeza, que qualquer navegador considera isso um verdadeiro disparate e um autêntico absurdo. Que a autonomia científica entregue pelo poder político lhes guarde tão brilhante conclusão ao fim de séculos. Afirmo com toda a convicção e certeza, que o cosmógrafo e navegador Pacheco Pereira não era estúpido.
Pretender falar de cartografia antiga, sem conhecer o valor do grau, da légua e da milha usadas, pode significar tudo menos uma coisa, saber ler uma carta. E só é possível ocorrer sem ser denunciado durante tanto tempo no meio académico, por grave lapso no rigor científico da investigação.
Episódios históricos, que a meu ver em alguns casos têm sido considerados e ensinados como factos históricos, que contesto fortemente:
- Viagem de Diogo Cão, em 1482
- Viagem de Diogo Cão, em 1485 – Próximo Episódio
- Viagem de Bartolomeu Dias
- Primeira viagem de Vasco da Gama
- Os navegadores portugueses na Insulíndia. Descobrimento da Austrália e Nova Zelândia
- Viagens de Cristóvão Colombo, em 1492 e 1498
- Descoberta do Brasil por Pedro Álvares Cabral. Registo de Duarte Pacheco Pereira no Esmeraldo. Planisfério de Cantino
- D. João II e D. Manuel
- Mapa que defendo, como pertença de Duarte Pacheco Pereira
- Tratado de Alcáçovas
- Tratado de Tordesilhas
A história dos descobrimentos marítimos é uma ciência, que assenta na investigação de documentos, os quais, podem ser de diversa natureza. Uma coisa é certa, sem documentos não há história. Acontece, por vezes, se a minha interpretação está correcta, que determinados sujeitos académicos, ou não, assumem-se como donos da verdade das descobertas, não querendo discutir as bases em que formulam os seus juízos. Ora, a ciência da história das descobertas não é uma pertença particular de ninguém, é um património de todos.
A história dos descobrimentos tem a carga de uma possível verdade contingente, que pode ser mutável ao longo do tempo. Porquê? Quem garante, que determinados documentos históricos até hoje não conhecidos, não possam vir a aparecer? Porém, aquela última condição não está inteiramente dependente dos investigadores e portanto, nesse caso, ninguém pode imputar-lhes responsabilidades.
Se tomarmos como exemplo duas passagens das descobertas que são paradigmáticas, torna-se mais fácil explicar o nosso ponto de vista: a viagem efectuada em 1497 por Vasco da Gama, é considerada um facto histórico, por ele ter descoberto o caminho marítimo para a Índia através da rota pelo Cabo. Para negar ou pôr em dúvida tal evidência, é preciso apresentar provas que outro navegador, ou navegação idêntica tivesse sido feita antes da data daquele acontecimento. Não sendo possível apresentar tal prova, nem sequer vale a pena falar em qualquer investigação.
Tem sido colocado no mesmo patamar daquele acontecimento histórico pelas Universidades e académicos, como um facto histórico a chegada de Pedro Álvares Cabral a Porto Seguro, em 1500.
